Fui vendedor...
e o que mais me atraía era o entusiasmo no que eu vendia. Eu acreditava no produto. Eu compraria o produto. O produto era tão interessante pra mim, que eu saboreava tê-lo, acha muito legal quem o queria também. Era como um presente de natal, que eu auardava e curtia muito quando ganhava.
Eu passei a ser um excelente vendedor. Vendia muito mesmo, sempre correndo para atender bem aos clientes, certo que eles iriam adorar a qualidade do meu produto, e lembrar sempre de mim como o cara que vendeu o espetacular produto x. Guardavam meu cartão, davam meu telefone aos amigos. Tornei-me especialista.
Com o termpo, o produto começou a ser divulgado e vendido em massa. Muitas lojas, supermercados, midia, qualidade chinesa, descartável, substituível, comum.
Perdeu totalmente a graça. Para um vendedor, nada existe de pior no mundo do que não ter mais entusiasmo no que vende. Fazia por rotina, sem garra, automatico, sem pressa, sem nada, e não corria mais para ninguém nem mesmo pra avaliar se o produto ainda tinha alguma coisa que o distinguisse do mercado. Só o que eu via era um enorme vasio.
Deixei aos poucos de ser vendedor.
Não havia mais motivo para vender algo que eu mesmo só compraria como quem compra papel higiênico.
Nas minhas expectativas, não senti curiosidade nem prazer, e deixei a área que eu tanto apreciei, com uma interna satisfação; Meus amigos nunca entenderam. Acham que eu me cancei e decidi virar ermitão... hehehe... até que virei um pouco, mas uma coisa eu garanto: um bom profissional, um vendedor de gabarito tem de ter o produto no sangue. Este sempre será o grande vendedor. Caso contrário, mude de área, de processo, de caminho, pois quanto mais tempo você forçar num caminho que não mais lhe atrai, só caminhará em circulos que serão menores a cada dia. E pessoalmente não agregará nada aos seus valores.
Então, veja, não sou mais vendedor, oba, que bom... pelo menos até que apareça um produto que me encante novamente !
Bruni


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